Sexta-feira, Julho 01, 2011
Há mesmo uma atmosfera diferente sempre. Conscientemente posso não lembrar, posso não saber, posso simplesmente negar. Mas é o meu corpo, minhas memórias, meus instintos que gritam loucamente sobre quem eu sou, no momento em que eu não sou de mais ninguém, a não ser de mim.
Enquanto durmo eu vejo imagens do meu passado, imagens que eu desejo e mesmo assim em nenhum momento de consciência assumo.
Quão significativo pode ser um sonho?
Quando eu me deitei eu só pensava na minha infância. Lembrava do pátio da escola, das festas, dos vestidos, de cada corredor e sala de aula, e desejei tanto estar lá, de volta. Naquele momento eu pensei que ser criança fosse a melhor fase de toda a minha vida, porque eu só tinha boas recordações dessa época, então como, cooomo pode, eu adormecer pensando nisso e saltar para aqueles momentos? Foi como um chacoalhão. Meu maior prazer não é que tudo dê certo, meu prazer está na dor, está nas lágrimas, está numa vida de folhetim que uma criança jamais teria. Eu tive tudo isso. E nao foi quando era criança.
Fiquei chocada com a forma como as coisas se apresentaram para mim esta noite. Tudo tão explícito e tão cheio de signos, exatamente como eu era. Sei que é estranho postar sobre um sonho, mas como não registrar, antes que suma de vez da minha mente algo assim??
Não lembro como chegamos ali, mas percebi o quanto a minha cabeça ainda se lembra perfeitamente daqueles detalhes. Do que foi tão doce, firme, seco, preciso. Como se a precisão fosse necessária em algo assim. Todos aqueles indicativos, gráficos, números mostravam: ELA está ali. Só. E a reação? Ela não se importa. Ama.
Ser deixada par trás, correr mais que seu corpo pode suportar, e no fim ser salva por um bom rapaz desconhecido que deixa em coma o que passou. Coma? Coma não é morte. Apavorante isso.
E depois disso, toda aquela coisa quente e dramática virou uma perseguição louca que você vê em qualquer blockbuster. Bem vinda à vida adulta, cherrie.
Isso é loucura, eu sei. Mas foi tão divertido. Como deixar de lado quem me fez quem sou? Já é a segunda vez e pouco tempo, eu sei bem o motivo. Embora não haja absolutamente nada, mais do que nunca, eu ainda me mantenho com algum pé ali. Naquele lugar esquecido, sem futuro, completamente vazio, onde eu fiz uma casinha e volto lá de vez em quando. Só pra ficar feliz em cima da mais épica derrota da minha curta existência.
Nem eu mesma, acreditanto ter o maior amor do mundo, um dia pensei que essa coisa fosse assim, tão louca e incondicional. É, na verdade, um saco. Mesmo. Mas eu não escolhi ser e viver assim. Simplesmente meu DNA é uma mistura de Eve Harrington e Margo Channing, nem toda alegria e realidade do mundo pode tirar isso daqui. Eu acabo amando.
Apenas dito por Cendrillon, às
11:23 AM
Domingo, Junho 05, 2011
Há oito anos eu comecei isso aqui. Little Witch's Blog. Eu era sem dúvidas uma menina. Apenas uma menina falando da vida, e dos problemas que pareciam ser sempre os maiores do mundo.
Hoje eu não volto tanto aqui, mas quando volto é por causa da menina que ainda existe em mim. Toda vez que eu volto é porque me sinto daquele jeito. Daquele jeito tão desprotegido, tão desamparado, tão catastrófico... Poucas vezes falo das minhas alegrias, essas eu guardo nas memórias, nas fotos, essas estão muito bem tatuadas dentro de mim, não precisam de registro. As angústias é que preciso escrever. De preferência no auge do ódio, no auge do desespero, no auge do rancor, para que depois de a poeira abaixar, eu não esquecer das coisas que eu aprendi através da dor.
Aquela bruxinha, que tinha todos os feitiços frustrados se tornou a feiticeira que toda mulher é. Toda mulher tem um pouco de bruxa, um pouco de santa, um pouco de mártir e um pouco de virgem, pra sempre.
Mas eu me orgulho do meu passado. Dos meus pequenos excessos calculados, da minha loucura cabida, da minha entrega incondicional àqueles que correspondiam às minhas exigências. Não sou exatamente igual, mas ainda há muito da garota que escreveu esse blog em mim. Muito mesmo. Os mesmos sentimentos, a mesma intensidade, as mesmas pessoas que nem imaginam o quanto estão presentes em mim... o que mudou foi a minha forma de ver tudo isso, de agir em relação a tudo isso.
Na última semana eu senti esse impulso louco que me abatia de 12 em 12 horas há 5 anos atrás, de correr para essa tela, pra essas teclas e escrever. A vontade imensa de transbordar-me pelos dedos, de sair pelo mundo através desses bites, como se o que eu tivesse a dizer fosse tão importante que o mundo e o mundo não poderiam deixar de saber. Já sou mais modesta. Escrevo pra mim... se bem que acho que sempre escrevi, mas agora é diferente. Não vejo como uma forma de dizer algo aos outros. É como uma forma de dizer pra mim. Pra Laís de daqui a 8, 80 anos. Tanto faz. Pode ser pra de amanhã mesmo.
Minha adolescência já foi embora há algum tempo, mas é incrível como as coisas que eu vivi, que eu desejei, que eu sonhei lá ainda ficam tão presentes em mim. Sou a mesma azarada de sempre, a mesma Loser. Hoje em dia ser Loser é ser cool. O mundo Wanna be Laís. Mas nossa... como era BOM! Eu adora todo aquele drama, aquele clima de cinema sem fim, eu nem imagino como consegui, com tão pouca idade e maturidade fazer aquele balanço perfeito de descobertas e excessos sem jamais desrespeitar meu corpo ou a minha moral. Normalmente quem se preserva demais acaba preso, sem viver, e quem se libera... bem, quem se libera demais perde o respeito eternamente de quem presenciou aquilo.
Meus sonhos de quando eu tinha onze, treze anos estão prestes a se realizar. Daqui a pouco mais de um mês estarei na Europa. Conhecerei Paris, Ville D'Amboise, Londres, Dublin, talvez Berlin, Amsterdã e outras cidades que só nos meus delírios loucos de menina eu desejava ver.
Trabalhei muito duro pra isso. Mesmo. Nunca contei com a sorte, mas quer saber? Isso faz com que eu me sinta ainda mais orgulhosa do que sou. Através do meu esforço e do meu cérebro eu estou conseguindo fazer aquilo que sempre desejei. Tantos que me infernizaram lá atrás hoje em dia estão destruídos (ignorantérrimos, com filhos, medíocres como SEMPRE foram) ou simplesmente estagnados... se enchendo de auto-afirmações e se contentando com pouquíssimo pra não encararem a realidade de que até hoje não saíram do lugar... e provavelmente não vão sair.
A vingança é um prato que se come frio, eu sempre repeti isso pra mim. E eu vou devorá-la como um delicioso sorvete do verão europeu no mês que vem.
Apenas dito por Cendrillon, às
3:15 AM
Domingo, Janeiro 09, 2011
De ontem pra hoje eu aprendi uma das lições mais valiosas que já tive.
Não importa o quanto uma pessoa pareça sincera, jure transparência, ela pode ser dona de um cinismo sem igual.
Foi muito chato perceber isso com a pessoa que eu mais confiava na vida, mas foi bem menos doloroso do que eu esperava. Pelo contrário, me aliviou. Me mostrou que ele é capaz de mentir tão descaradamente (comigo implorando para que ele contasse a verdade, depois dizendo que me arrependia de ter duvidado dele, para ver se pelo menos com peso na consciência ele me dizia alguma coisa, mas foi em vão) que não merece todo o respeito e confiança qe eu depositei nele todo esse tempo.
Se ele quer continuar com a paixão obsessiva, isso é problema dele. Eu não vou continuar me prestando a fazer esse papel ridículo enquanto ele fala mal de mim pelas costas. Ele me prova cada vez mais que não merece a minha dedicação. Infelizmente.
Não me arrependo. Mas infelizmente volto ao ponto inicial da nossa relação, onde eu acreditava que não podia confiar nas pessoas. Talvez dessa vez eu tenha aprendido bem a lição, pra nunca mais esquecer.
Apenas dito por Cendrillon, às
11:58 PM
Domingo, Dezembro 26, 2010
Não, eu não estou sendo enganada.
Ele mesmo consegue ser franco e honesto comigo quando diz e mostra que a ama, e que o meu amor é só "um atrativo". Um eufemismo para dizer: se eu não posso ter quem eu amo, que pelo menos alguém me ame para que meu ego continue ok.
E sai correndo da casa da doente despenteada e desarrumada para encontrar com fascinante, encantadora e intocável (será mesmo?) amada ex namorada.
Apenas dito por Cendrillon, às
10:57 PM
Sábado, Dezembro 25, 2010
Preciso repetir mil vezes por dia que estou sendo enganada, para que eu não esqueça disso e não passe a acreditar.
Essa consciência é o ponto de partida para o que eu preciso fazer comigo mesma. Essa consicência vai me dar toda a força que eu preciso pra continuar, pra reverter isso, pra destruir tudo aquilo que eu sinto e que eu odeio saber que não desperto.
Porque ele ainda me engana, ainda me coloca em segundo plano, ainda faz [b]questão[/b] de alimentar certas coisas que só me destroem.
Isso não vai ser sempre assim.
Eu não vou ser esse massageador de ego pra sempre.
Mas eu sei que agora não é o momento. Ainda não.
Apenas dito por Cendrillon, às
11:26 PM
Quinta-feira, Outubro 21, 2010
E agora as coisas parecem estar se encaminhando pra mim =D
E ao mesmo tempo que eu fico feliz, eu consigo ver com mais clareza o quanto eu estou me afastando dos meus verdadeiros sonhos. E não porque a vida me obrigou, como antes eu achava, mas porque EU mesma estou trilhando um caminho contrário àquele que eu sonhei. É um bom caminho. Acredito que vá me fazer feliz, mas não completa.
Quero toda a sorte que puder ter. Quero quetudo corra bem nessa nova fase. Quero estar melhor comigo mesma.
Mas e nós? A cada dia que passa eu vejo com mais clareza que se a paixão está muito longe de acontecer, o amor é impossível. Passou muito tempo até que ele resolvesse de fato OLHAR pra mim. Quando fez isso eu já estava pessimista, íntima e desmotivada o bastante para me tornar alguém sem chances de despertar paixão em quem quer que fosse. Na minha fase otimista, alegre, radiante, disposta a dar tudo que tinha por nós, ele simplesmente me ignorava e só tinha olhos, juras e carinhos para outra. É triste, mas não é o fim. Um das coisas que venho aprendendo a cada dia é que uma relação não depende apenas desses sentimentos convencionais. O respeito, carinho, desejo e companheirismo são tão importantes quanto. Só não conseguem trazer felicidade junto. Mas são o suficiente para satisfazer.
Meus amigos tão queridos, cada vez mais compartilhamos segredos, risadas, viagens, loucuras! Eles trazem à tona o que eu tenho de melhor, e todos os dias eu agradeço pela vida ter posto aqueles dois perto de mim ^^
Eu sou muito medrosa, pessimista... não sem motivos, mas sou. Espero que tudo dê certo e eu faça o caminho contrário, volte a ser o que fui há 5 anos.
Boa sorte pra mim!
Apenas dito por Cendrillon, às
1:23 AM
Quinta-feira, Agosto 26, 2010
Raiva, tensão, ansiedade, medo.
Em dois dias os meus planos foram forçados, o que era uma opção passou a se tornar a única alternativa, e hoje é um dos dias mais tensos que eu já vivi.
Sinto meu coração batendo tão forte a todo momento.O ar parece que pesa, e a vontade que eu tenho é sair correndo daqui e gritar na cara deles que não é assim que se trata alguém. Antes fosse só comigo, talvez eu não me importasse tanto, mas vê-los agindo como se fossem donos das pessoas, humilhando, manipulando, difamando qualquer um indiscriminadamente.... É UM ABSURDO!!
Apenas dito por Cendrillon, às
3:29 PM
Quarta-feira, Julho 28, 2010
The past calls me - longing to you
I'm still in love - with all thay you did
Oh - I can't be aware
Of all the things that you are
Let me hold on to you
Like you are in my memories
Come back to me
Quando isso vai acabar?
Apenas dito por Cendrillon, às
4:50 PM
Quinta-feira, Julho 15, 2010
Hoje eu lembro menos que ontem, a amanhã mais um pedaço dessa lembrança vai embora. Quanto tempo vai levar até que tudo desapareça?
Minhas palavras de hoje são o registro mais eficiente para que eu me lembre, e para que quem quer que seja saiba, lembre ou reviva.
Faz menos de uma semana, mas parece que já se foi uma eternidade desde que ela foi embora, e nem sequer dá pra acreditar que ela foi embora.
Um pedaço tão importante da minha infância, quem cuidava de mim quando minha mãe ficava doente, quem fazia o bolo mais gostoso do mundo, quem me chamava de "minha flor" já não existe mais. Não da forma como eu conheci. Nasceu outra, em forma de lembrança, em forma de saudade, dentro de cada um de nós.
Nem sei quanta falta eu vou sentir daquele abraço quentinho, da risada e daquele jeito de cantar pela casa. Ela era tão maravilhosa...
Eu me considero uma menina de sorte por ter conseguido ir lá naquele dia. Por ter conseguido vê-la, por senti-la me fazendo carinho pela última vez, apertando minha mão... nunca vou esquecer daquele fio de voz dizendo que estava com saudade de mim, nunca vou esquecer dos últimos sorrisos, da textura do seu cabelo, da ternura no seu olhar.
Nunca vou esquecer do momento de paz que eu senti naquele ambiente tão triste, enquanto fazia carinho na sua cabeça, segurava sua mão enquanto minha tia lixava delicadamente suas unhas e no leito ao lado um senhor cantava com sua amiga também doente. Foi tão triste, mas ao mesmo tempo tão bonito, tão delicado.
Ela me deu o último tchau, dessa vez sem me levar no portão, sem acenar até que eu virasse a esquina, mas foi o último... e é tão doloroso saber que nunca mais ela vai me dizer tchau!
Eu estava lá pra acompanhar uma das últimas refeições, estava lá quando ela tentou exercitar os pés para que não doessem quando ela levantasse daquela cama (da qual nunca mais levantou), estava lá quando ela contou sobre a paciente do leito ao lado que era tão rebelde... e quando ela disse estar satisfeita com as unhas depois que minha tia cortou, lixou... eu sempre quero lembrar do carinho que ela fez em minha mão mesmo com os olhos fechados, dizendo estar sonolenta, e como ela disse que minhas mãos sempre foram geladas.
A MINHA flor acabou murchando, mas a sua beleza e toda a alegria que ela trazia para os ambientes nunca vai ser esquecida. Nem por mim, e nem por ninguém que a viu alguma vez.
Não lembro de ter chorado de tristeza alguma vez na vida além dessa. Sempre choro de emoção, com alguma música ou cena, ou de raiva, ou de frustração, ou de nervosismo, ou de impotência, ou de fragilidade ou de dor... acho que apenas com essa perda eu entendi o choro de tristeza. Simples, cruel, mas sublime. Pois não há remorsos, não há revolta, não há incompreensão... há tristeza. Por perder alguém tão amado, por saber que ela nunca mais estará lá, por saber que mesmo tendo sido melhor daquela forma, para evitar todo o sofrimento, e com a certeza de que ela se foi com seu dever cumprido, há a tristeza, somente a tristeza.
Foram lágrimas completamente diferentes de todas as que já derramei. Foram quase uma homenagem, uma forma de demonstrar com meu corpo toda a falta que meu coração iria sentir dali em diante.
O amor, no entanto, nunca vai morrer. Nunca. Só agora eu entendo que o amor não morre junto com uma pessoa. Ela vai, mas aquilo que se sente não... isso nunca vai acabar. E eu me sinto feliz por saber que também fui amada. Que fui amada por alguém que viu cada fase da minha vida, que me acompanhou desde que eu era uma menina até agora, até que eu me tornasse uma mulher. Ela viu toas as minhas conquistas, e sei que estará comigo nas próximas também. Mesmo que eu não acredite em espíritos, eu acredito que alguém continua vivo através daqueles que a amam. E eu a amo. Sempre.
Apenas dito por Cendrillon, às
2:33 PM
Terça-feira, Maio 11, 2010
Pra mim tem sido pouco o muito que tenho. Tem sido vazio, embora cheio de emoção. Tem a aparência perfeita, mais que perfeita, mas falta a essência.
Aquela que faria com que qualquer coisa fosse incrível, que faria todo momento ser maravilhoso... sem ela eu preciso de mais, preciso de enfeite, preciso de uma boa aparência pra maquiar a falta de conteúdo e me sentir feliz.
Mas passa táo rápido. Eu precisaria de muito dinheiro pra comprar as coisas que me fariam feliz e supririam a minha sede por sentimentos.
Por isso eles são tão importantes pra mim. Eles me ajudam a tomar de volta todo aquele ânimo que vai se perdendo à medida que eu percebo que não importa o tempo que passe, as coisas não vão mudar.
Dali eu sinto tanto amor, tanta cumplicidade, que mal consigo me reconhecer, aliás... só ali eu consigo me reconhecer como aquela que fui e aquela que amo ser, só com eles eu me sinto de fato amada, admirada, e eu os amo e admiro também. Não existe nada que eu deseje mais que isso. Neles eu encontro.
Por isso às vezes as reclamações de querer passar um tempo com eles me parecem absurdas. Estar mais tempo ali não vai me fazer ser amada, mas estar um tempo com eles faz com que eu me sinta assim, e isso é algo que eu preciso mais que qualquer outra coisa.
Eu me sinto extremamente só, sempre do lado de tanta gente que eu ignoro, que acho medíocre, que acho um tédio, sem verdadeiramente estar só, isso me desgasta, e só aquele brilho nos olhos de quem ama é capaz de revigorar todas as minhas energias.
Apenas dito por Cendrillon, às
2:54 PM